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rua augusta 331 consolação tels:3255-8448 * 3257-8129

quinta-feira, 24 de março de 2011

Exposição de Edson Kumasaka no Club Noir


Bibelôs em Transe

O mundo está cheio de olhos. Olhos de gente, olhos de bichos (terrestres, aéreos, marítimos) e talvez até olhos de extraterrestres, que nos espiam como voyeurs do espaço. E o que esses olhos vêem? Que imagens uma baleia vê no fundo mar? Como será que um gavião-real enxerga as montanhas lá de cima? O que um cachorro vê quando nos olha fixamente? E um gafanhoto, o que ele vê com seus olhos multifacetados? O mundo que um mendigo da Praça da Sé vê será o mesmo mundo visto por um executivo da Bolsa de Valores?

Quantas vezes passamos diante de algo e seguimos em frente sem ver o que estava ali? Esse jogo de olhar e ver ou olhar e não ver pode ser fatal se pensarmos numa surucucu enrolada no meio de uma espessa folhagem e só vista quando já é tarde demais, quando as presas já penetraram no tornozelo. Ou pode se transformar numa brincadeira curiosa e inesperada quando um fotógrafo vê algo insuspeitado e dispara sua câmera.

O que chama mais atenção, de imediato, na série de fotos Bibelôs em Transe, de Edson Kumasaka é esse jogo do olhar de quem vê e do olhar de quem é visto. Ainda mais porque, nesse caso, “quem” é visto não é exatamente “alguém”. Mas não há como deixar de ver as expressões expressas nos olhares desses bibelôs: umas são abertamente catatônicas, meigas ou desconfiadas, outras são francamente assustadoras.

Quantas vezes passamos diante de prateleiras de lojas e não vimos o mesmo que Edson Kumasaka viu, selecionou, enquadrou e fotografou?

E esse é o ponto mais interessante desse jogo: o fotógrafo não tirou os bibelôs dos seus lugares, não os levou para um estúdio, não escolheu a luz adequada para captar a imagem: ele fotografou ali mesmo, nas prateleiras, ali, onde eles estavam. Fez uma espécie de ready-made ao contrário: em vez de deslocar um objeto banal para um espaço com status artístico (um museu ou um estúdio fotográfico), enquadrou o objeto no próprio local em que estava e trouxe para um “espaço de arte” (a galeria ou as páginas de uma revista) apenas a sua imagem, filtrada e construída, obviamente, pelo seu olhar, com auxílio técnico da câmera fotográfica.

Parece bobagem. Mas, pode ter certeza: quem olhar e ver essas fotos jamais vai olhar para esses bibelôs da mesma maneira. Daqui pra frente, eles sempre estarão em transe.

Mesmo aquele inocente e kitsch pingüim que você tem em cima da geladeira.

Ademir Assunção

Serviço
de terça a sábado, da 10h às 21h
domingo, das 16 às 20h
club noir. rua augusta, 331. 3255 8448




sexta-feira, 18 de março de 2011

Metrópolis- TV Cultura- destaca o espetáculo PINOKIO.

Clique no link abaixo para assistir a matéria.

O Estado de São Paulo: Roberto Alvim visita clássico de Collodi.

Do site: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110317/not_imp692968,0.php

Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S.Paulo

Inventar o futuro. Parece ser essa a ambição a nortear a criação do diretor Roberto Alvim. A concepção de uma cena que dê conta do contemporâneo não apenas em seus procedimentos e formas. Que não se restrinja às propaladas desconstruções ou sistemas pós-dramáticos. Em Pinokio, novo espetáculo da Cia. Club Noir que estreia hoje, Alvim lança-se em um território que pretende exceder o drama, extrapolar o teatro. Sem meneios, declara a intenção de nos apresentar um instantâneo do que seria um novo homem, uma humanidade para além do humano.

Edson Kumasaka/Divulgação
Edson Kumasaka/Divulgação
Invenção. Peça utiliza linguagem repleta de neologismos para tratar de um ser formado por pedaços de corpos e de objetos

Não são modestas as intenções do encenador. Depois de mergulhar na obra do norte-americano Richard Maxwell para compor Tríptico - um conjunto de três peças levado ao cartaz em 2010 -, Alvim volta-se agora a um texto de lavra própria. Debruçado sobre a fábula clássica de Carlo Collodi, visita a história do boneco transformado em menino para trilhar um percurso às avessas. Neste Pinokio, são os homens que passam pela experiência de tornar-se outra coisa, uma espécie de máquina surgida da sobreposição de pedaços de corpos e de objetos.

Na contramão de qualquer apego a uma suposta essência humana, o diretor demonstra-se devoto de uma ideia de identidade que não precisaria ser descoberta, mas forjada. "Existe uma recusa a essa máxima de "conhece-te a ti mesmo". A luta é por encontrar não dentro de nós, mas fora de nós, em outras paisagens, a ideia de humanidade."

Novas maneiras de existir e habitar o mundo demandam também uma nova linguagem. Para erigir o seu drama não dramático, Alvim dispõe de uma língua reinventada. Eivada de neologismos e construções sintáticas inusuais, a peça transporta o espectador a um lugar desconfortável, onde não é possível seguir a semântica do que está sendo dito.

A ambição, que resvala na proposta de precursores como o dramaturgo francês Valère Novarina, é a de criação de uma estrutura em que nada precisa ser necessariamente compreendido. Entra em derrocada a noção de entendimento, desponta a de experimentação.

Se o intuito que atravessa Pinokio é atingir o público em seus sentidos, isso não o torna menos cerebral. Ainda que Alvim não alardeie suas referências, é difícil não vislumbrar na sua ficção rastros e desdobramentos das proposições de filósofos, como Gilles Deleuze. Transversalmente, surgem evocações a conceitos cunhados pelo autor de Mil Platôs, como "linhas de fuga", "rizoma" ou "máquina desejante".

A transposição do texto à cena sugere uma continuidade do projeto estético no qual a Cia. Club Noir persevera desde sua criação, em 2008. Assim como nas montagens anteriores, será possível antever a marca de uma encenação minimalista: a luz rarefeita, a cenografia que tende ao abstrato, a elocução lenta, em que a palavra encontra relevos inesperados. Todos esses traços, porém, teriam atingido agora certo paroxismo.

Radicalizados ao extremo, o imobilismo e a propensão à escuridão levaram o grupo a um lugar praticamente sem saída. "É como se tivéssemos forçado esse sistema a um ponto que decreta a sua morte. Não tenho a menor ideia de para onde vamos depois deste trabalho, nem se é possível continuar a fazer peças." Talvez no teatro, como na vida, render-se ao desconhecido seja um risco que valha a pena correr.

PINOKIO
Club Noir. Rua Augusta, 331, telefone 3255-8448. 5ª a sáb., às 21 h; dom., às 20 h. R$ 10. Até 15/5.



quinta-feira, 17 de março de 2011

Pinokio. Folha de São Paulo.



"Pinokio" desestabiliza a lógica do teatro


Espetáculo escrito e dirigido por Roberto Alvim, que estreia hoje, radicaliza experiências do grupo Club Noir

Inspirada na fábula "Pinóquio", peça busca a renovação teatral com dramaturgia desconexa e linguagem poética

GABRIELA MELLÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em "Pinokio", nova peça do grupo Club Noir que estreia hoje, uma personagem questiona-se sobre a invenção com a qual se defronta.
"O que era aquilo?", ela se pergunta antes de deixar de ser para sempre quem foi um
dia. "Aquilo, isto, o que é?" A cena retrata o primeiro contato de um homem com algo nunca visto, experiência tão desestabilizante quanto renovadora.
"Pinokio" é um convite para a plateia se confrontar com o desconhecido.
Busca a renovação da cena teatral, a reativação do poder desta arte de despertar sensibilidades adoecidas pelo fluxo contínuo de mediocridade que contamina o teatro e o mundo de hoje.
"Pinokio" é inspirado na fábula "Pinóquio", de Carlo Collodi (1826-1890).
O espetáculo escrito e dirigido por Roberto Alvim apropria-se do conceito de transmutação impregnado na história deste boneco que se torna homem para transformar seres humanos em uma outra coisa, através da hibridação de corpos e máquinas. O homem surge com status de ícone através de personagens que rejeitam o comportamento padrão da existência cotidiana.

ESTÁTUAS
Em cena, Juliana Galdino, Rodrigo Pavon e os demais atores mais parecem estátuas evocando um novo mundo, cuja atmosfera, criada por uma tinta a óleo preta que escorre das paredes do palco, é ao mesmo tempo negra e úmida.
""Pinokio" nasce da percepção de que a maneira como nós classificamos a condição humana é banal e limitadora. A arte não deveria reiterar a ideia de ser humano burguês. Arte tem a ver com liberdade", fala Alvim.
A trama inexistente, composta por uma dramaturgia bastante fragmentária, desconexa e próxima da lógica da poesia, chega ao extremo do essencial, dispensando muitas vezes o uso de frases completas.
Alvim restitui o poder oculto das palavras, servindo-se sobretudo de sua força primária, potencializada através da cena penumbral.
Sugere assim um universo misterioso, só passível de ser desvendado com a contribuição do inconsciente dos espectadores.
"A criação desta linguagem instiga o imaginário na invenção de novos significados, redefine a estrutura de pensamento e sensibilidade, reconstruindo o modo de estarmos no mundo", explica o diretor.

PINOKIO

QUANDO de qui. a sáb., às 21h, e dom., às 20h; até 15/5
ONDE Club Noir (rua Augusta, 331; tel. 3255-8448)
QUANTO R$ 10
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

segunda-feira, 14 de março de 2011

Revista Folha de São Paulo destaca a estréia de PINOKIO


No contraluz
MARIA LUÍSA BARSANELLI

O nome remete à fábula do boneco de madeira escrita pelo italiano Carlo Collodi (1826-1890). Mas "Pinokio", a nova peça do Club Noir, que estreia na quinta (17), apenas alude à história.

O texto do diretor Roberto Alvim se apropria do conceito de transformação da obra de Collodi para evocar um mundo imaginário em que humanos se misturam a máquinas. Com uma linguagem inusual, a dramaturgia busca incitar a subjetividade do espectador. Confira a explicação de Alvim para alguns conceitos da montagem:

Fala
Há muitos "planos vocais" nas falas e não há interação entre os personagens -ou "figuras" como o diretor prefere chamá-los. "Às vezes existem cinco frases dentro de uma só. São monólogos articulados. Algo evocado em uma fala reverbera na seguinte."

Iluminação
Não há refletores, apenas uma linha branca néon ao fundo, um quase círculo vermelho e uma luz lateral no rosto dos atores. Eles estão sempre no contraluz. "São figuras silhuetadas. Assim, o público pode projetar nelas conteúdos do seu inconsciente."

Umidade
No cenário preto, o chão de mármore craquelado e os tecidos do figurino são alguns dos poucos elementos que criam a textura visual da peça. Um verniz nas paredes dá a ideia de umidade, uma alusão ao ambiente "onde se que gera a vida".

Círculo inacabado
O desenho do círculo vermelho néon ao fundo do palco não se fecha. "É uma síntese que não se dá, como um futuro incerto. É difícil de verbalizar, mas é resultado de uma proposta que a gente tem há muito tempo: uma alteridade radical em cena."

sexta-feira, 4 de março de 2011

PINOKIO é a nova peça do Club Noir.



“Pinokio”, novo trabalho da companhia Club Noir, culmina e sintetiza toda a técnica original que desenvolvemos em nossos 5 anos de trajetória. É nossa obra definitiva, que concretiza nossa pesquisa de criação de alteridades radicais em cena. (Roberto Alvim, diretor.)

O título faz menção à fábula de Carlo Collodi, na qual um boneco transforma-se em ser humano. Aqui, seres humanos metamorfoseiam-se em uma espécie de transhumanidade, através da hibridação de corpos e máquinas. A ação se dá em um mundo inteiramente inventado, habitado por criaturas que existem através de uma linguagem neológica, configurando uma nova mitologia.



Serviço:

“Pinokio”

Texto e direção: Roberto Alvim.

Elenco: Juliana Galdino, Rodrigo Pavon, Janaína Afhonso, José Geraldo Jr. e Katiana Rangel

Quando: de quinta a sábado, 21h; domingo, 20h.

Onde: Club Noir. Rua Augusta, 331, Consolação, São Paulo.

Informações: 3255-8448 / 3257-8129.

Ingressos: R$ 10,00.

Duração: 50 minutos.


terça-feira, 1 de março de 2011

Club Noir no programa Starte - Globo News

Diversidade de repertório toma conta das salas de teatro

Veja quatro peças de diferentes gêneros que estão em cartaz no Rio de Janeiro e de São Paulo no verão de 2011.

Na histórica Rua Augusta, em São Paulo, uma nova companhia, em um novo teatro, o Club Noir, escolheu o texto de um dramaturgo norte-americano para dar ênfase à palavra e falar, na penumbra do teatro, da realidade em que vivemos. No Rio de Janeiro, a peça "Me salve, musical" usa o próprio teatro como tema e faz pensar através de bons momentos de farsa e de comédia. O programa mostra também os bastidores da peça "Shakesparque", uma montagem imperdível com trechos de clássicos do bardo, que tem lotado um dos cenários mais bonitos do Rio de Janeiro: o Parque Lage.